O tipo de turismo pós-moderno que se pratica no Dubai, remete-nos para reflexão teórica bastante complexa sendo que neste caso particular não existe um fenómeno turístico paralelo a estas dimensões.
Fazendo uma revisão geral e analisando a história deste Emirado, de facto da cultura pré islâmica pouco se sabe, mas muitos argumentam que eram pólos de comércio entre os mundos Oriental e Ocidental. Na nossa perspectiva esta explicação detém alguma lógica, pois o Dubai beneficiou da sua proximidade com a Índia para se tornar num importante porto de escala para os turistas estrangeiros, por sua vez, muitos anos depois, após algumas guerras fronteiriças com outros Emirados, a descoberta do petróleo originou um fluxo maciço de trabalhadores estrangeiros. Como resultado, segundo algumas estimativas a população da cidade cresceu cerca de 300% entre 1968 e 1975.
Durante as décadas de 70 e 80, o Dubai, continuou a crescer a um ritmo alucinante a partir das receitas geradas através da exportação do petróleo e do comércio, beneficiou com a guerra civil libanesa, pois deste modo viu aumentar o seu fluxo de imigrantes, em 1979, construiu o Jebel Ali, que supostamente é o maior porto construído pelo homem e em 1985 foi construído em torno do porto, uma zona económica livre que beneficiava empresas estrangeiras, a que deram o nome de Jafza, que posteriormente permitiu que a cidade pudesse replicar o seu modelo de desenvolvimento para novas zonas isentas/livres.
Em 1990, a guerra do Golfo Pérsico criou um grande impacto na região. Devido às incertezas políticas, os bancos do Dubai fizeram uma retirada cerrada dos fundos, no entanto, durante o decorrer da mesma década muitas comunidades do comércio exterior mudaram os seus negócios para lá, para além de este Emirado durante a guerra do Golfo Pérsico se ter tornado numa base de reabastecimento para as forças aliadas.
Na entrada deste milénio, a especulação e o aumento dos preços de petróleo após a guerra, estimulou o Dubai a focalizar-se no comércio livre e no Turismo. A criação de novos empreendimentos residenciais, o aumento do investimento imobiliário e a construção do Burj Al Arab, têm sido utilizados para fins turísticos.
Estes factores e estas apostas que foram tomadas pelo Dubai, tornaram o Emirado no fenómeno turístico que é nos dias de hoje. De facto, considerando que os lucros gerados através do investimento imobiliário, da exportação do petróleo, do turismo assim como a sua ligação entre o mundo Oriental e Ocidental, fizeram do Dubai, aquilo que consideramos ser um “Ponto de Charneca” ou uma “Plataforma Multimodal”. Não admira que deste modo, utilizando todos os recursos que têm á sua disposição, tenham investido de forma extravagante e quase caprichosa para se transformar naquilo que é hoje a sua imagem de marca: um paraíso turístico, um pólo de negócios, um pólo de comércio e um pólo de eventos e mega eventos. O Dubai tornou-se um “lugar abstracto, quase virtual”, o que nos obriga a remeter para uma questão que é no fundo o nosso trabalho: a autenticidade no Dubai.
Esta reflexão ética remete-nos para uma das questões mais problemáticas que nos foram colocadas até hoje. Podemos falar de autenticidade turística no Dubai?
Após algumas pesquisas e leitura de alguns artigos, muitos autores e “especialistas” definiam o emirado como a nova “Las Vegas”, por se ter tornado um pólo comercial e de entretenimento. Deparamos esta questão relativamente obtusa, ou seja, uma ênfase do que os meios de comunicação social pretendem transmitir. De facto, Las Vegas e Dubai, são dois pólos comerciais e de diversão, mas seria uma utopia de marketing analisarmos apenas por este eixo, pois uma é a cidade das tentações e outra das restrições até por questões religiosas. Mas não só, por um lado a cidade americana insere-se numa vertente moderna enquanto o emirado remete-nos para uma ênfase do pós-modernismo. Actualmente o pós-modernismo é visto como um próprio “produto turístico e cultural”.
No seio do novo mercado turístico internacional, o aumento de experiências simuladoras da própria realidade têm vindo a aumentar. De acordo com um inquérito da revista The Economist sobre o turismo mundial para conquistar os turistas, a “solução mais imaginativa é deixar completamente de lado a história e o ambiente natural e criar destinos a partir do zero. Isso permite que estas sejam construídas de forma direccionada para fazer os turistas felizes e experienciar algo único e diferente.” Um exemplo específico é a Disneyland, cujas infra-estruturas do parque temático são imitações da vida real.
De volta ao caso específico do Dubai, a concepção e implementação de várias políticas de desenvolvimento focalizadas no turismo compuseram uma “autenticidade artificial” que se verifica hoje naquele Emirado Árabe Unido.
Por sua vez, o critério de autenticidade turística é remetido para a cognição do próprio turista através da experiência e vivência do próprio produto turístico, pois só o consumidor é que avalia a autenticidade de um determinado destino. Ou seja, as informações que são adquiridas através da experiência são retidas no sistema cognitivo através das percepções, estímulos e sensações que ao interagir com o meio envolvente permitem criar ou não um grau de satisfação no consumidor.